3 dias em Amesterdão: o que fazer e informação prática

Hallo iedereen!

Há algum tempo que Amesterdão estava no topo da minha lista de cidades Europeias que queria visitar. Em 2017 a viagem concretizou-se finalmente e no início de Junho passei três dias na capital Holandesa.

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Para além de consultar um livro turístico para planear o que iria visitar em Amesterdão, dei também uma vista de olhos ao site I Amsterdam. Esta plataforma oferece informação prática não só para quem está de visita à capital Neerlandesa, como também para aqueles que estão a planear mudar-se para a cidade quer seja para estudar, trabalhar ou até abrir um negócio.

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Vista sobre o canal no Red Light District

Do ponto de vista turístico, o site I Amsterdam foi-me bastante útil não só para ver qual é a oferta cultural e quais são os pontos de mais interesse em Amesterdão, mas também para perceber a estrutura da cidade e o funcionamento da rede de transportes, que normalmente é daquelas primeiras coisas que podem eventualmente gerar mais confusão quando chegamos a uma cidade nova.

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O Reino dos Países Baixos é formado por 12 províncias. Amesterdão fica na província da Holanda do Norte.

Onde fui e o que vi em Amesterdão ?

O meu passeio por Amesterdão começou pelo centro da cidade. Passei pela Praça Dam – uma das praças mais importantes da cidade – onde também podemos encontrar o Palácio Real, a Nieuwe Kerk ou Igreja Nova – onde na altura estava a decorrer a exposição do World Press Photo, – e o Monumento Nacional em memória da resistência e sofrimento do povo Neerlandês durante a Segunda Guerra Mundial.

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Palácio Real / Koninklijk Paleis

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Teatro de marionetas a decorrer em Dam Square

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Igreja Nova / Nieuwe Kerk

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Monumento Nacional / Nationaal Monument

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Monumento Nacional / Nationaal Monument

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Museumplein

O Museumplein é um espaço público onde se encontram três dos mais prestigiados museus de Amesterdão: o Rijksmuseum, o Museu Van Gogh e o Museu Stedelijk. Este é um local muito agradável para nos sentarmos no relvado e descontrair com um grupo de amigos.

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Apesar de ser um dos ex-libris de Amesterdão, não visitei o Rijksmuseum, um museu dedicado à arte e história da cidade. No entanto desfrutei do espaço ao ar livre em frente ao mesmo, onde podemos encontrar o famoso sinal “I Amsterdam“, rodeado de umas quantas dezenas de pessoas que tentam tirar fotografias com os seus selfie-sticks.

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Museu Van Gogh

Um outro “must do” em Amesterdão é o Museu Van Gogh. Este museu tem exposta uma colecção impressionante das obras do pintor Neerlandês. O audio-guia e a forma como a exposição está organizada leva-nos num percurso ao longo da carreira do artista, desde o momento em que decidiu dedicar-se à pintura, a sua aprendizagem, a sua relação atribulada com o seu pai e a amizade que tinha com o seu irmão que o ajudava financeiramente, os artistas que o inspiravam, os ensaios técnicos que fez para algumas das suas obras, até chegar à fase de declínio da sua saúde mental, culminando com o seu suicídio.

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Entrada para o Museu Van Gogh

Aconselho comprar os bilhetes para o Museu Van Gogh antecipadamente pois as filas no local são demoradas. No meu caso, comprei o bilhete combinado que incluía este museu e um passeio de barco pelos canais de Amesterdão através da companhia Blue Boat. Custou € 31.50 e comprei-o num quiosque que se encontra no local onde os barcos desta companhia estão atracados e iniciam o cruzeiro, mesmo ao pé da Heineken Experience. Ao comprar o bilhete tive também de marcar logo o dia e a hora em que pretendia fazer a visita ao museu. Pode acontecer já não haver disponibilidade e ser necessário escolher outra hora.

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Passeio de barco pelos canais de Amesterdão. Este foi o local de onde o barco partiu, que fica mesmo em frente à Heineken Experience.

O cruzeiro teve a duração de 75 minutos e levou-nos numa visita panorâmica pelo canal ring de Amesterdão – a rede de canais que em 2010 ganhou o estatuto de Património Mundial da UNESCO. Durante o percurso podemos admirar as construções do século XVII tão características da capital dos Países Baixos e observar o evoluir da cidade para uma arquitectura mais moderna, principalmente na zona Norte do canal ring.

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NEMO Science Museum

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EYE Film Museum

E aquela visita pela qual eu esperava há já tanto tempo: a Casa da Anne Frank! Desde que li o Diário desta heroína Judia cujo destino trágico a tornou num símbolo histórico, visitar o Anexo Secreto durante a minha estadia em Amesterdão era uma das minhas prioridades. Recomendo comprar os bilhetes online com alguma antecedência, pois a fila para comprar bilhetes no local é bastante longa.

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Casa da Anne Frank

Ao comprar os bilhetes no website escolhi o dia e a hora em que queria fazer a visita. Marquei para as 12h e quando lá cheguei foi só mostrar o bilhete a um membro do staff que estava a controlar a entrada e fui logo encaminhada para uma fila específica. Esperei apenas uns cinco minutos. Ao entrar no edifício, foi-me oferecido um audio-guia disponível em várias línguas, incluindo Português.

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À direita, o prédio da Casa da Anne Frank

A visita começa pela zona do armazém daquela que, na época da Segunda Guerra Mundial, era a empresa de Otto Frank, o pai de Anne. Depois fomos subindo os diferentes patamares passando pelos escritórios onde, através de textos e imagens expostas nas paredes, é feita uma apresentação de todo o percurso da família Frank: a sua ida para Amesterdão para fugir ao regime Nazi, a tentativa frustrada de exílio nos Estados Unidos, os preparativos de uma vida na clandestinidade dentro do Anexo Secreto e a ajuda prestada por outros membros da empresa de Otto Frank, que arriscaram as suas próprias vidas para tentar salvar esta família. Até que chegamos à célebre estante e à entrada secreta por detrás da mesma. Depois de visitado o anexo, o percurso pelo museu termina com uma exposição dos diários de Anne Frank e vários dos seu manuscritos.

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Fila para entrar na casa da Anne Frank

Em suma, para quem se interessa por História, leu o Diário ou tem apenas um conhecimento geral e se sensibiliza pelo que se passou naquele local, vale muito a pena fazer esta visita.

Um outro local que recomendo bastante visitar é o Bairro Cultural Judaico e a respectiva Sinagoga Portuguesa, que foram para mim uma surpresa muito interessante ao perceber que existe em Amesterdão uma herança Ibérica que remonta ao fim do século XVI, quando a comunidade Judaica de Portugal e Espanha, reinos Católicos, se viu forçada a emigrar para fugir à Inquisição.

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Porta de entrada para a Esnoga

O Jewish Cultural Quarter é formado pelo Museu Histórico Judaico e o respectivo Museu Infantil, a Sinagoga Portuguesa, o Memorial Nacional do Holocausto e o Museu Nacional do Holocausto. O bilhete custa €15 e inclui a entrada em todos estes locais.

Infelizmente apenas tive oportunidade de visitar a Sinagoga Portuguesa, mas posso dizer que só pela visita a este edifício o bilhete já vale a pena! À semelhança dos outros museus que visitei na cidade, foi-me dado um audio-guia também disponível em Português. A visita começa por uma cave onde se encontra a Câmara de Tesouros. Aí podemos assistir a um vídeo sobre a origem da comunidade Judaica em Amesterdão e admirar uma coleção de objectos valiosíssimos utilizados nas cerimonias que ainda hoje são realizadas nesta casa de culto Judaico.

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Interior da Esnoga onde são realizadas as cerimónias de culto Judaico.

A Esnoga apresenta-se ainda hoje exactamente da mesma forma como era em 1675, ano em que a construção do edifício foi finalmente concluída. Não existe electricidade, sendo que o seu interior é iluminado pelas centenas de velas distribuídas por lustres e candelabros que se encontram na sala.

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Galeria da senhoras

Tradicionalmente, em todas as sinagogas ortodoxas as mulheres sentam-se separadas dos homens. Na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão o espaço reservado às senhoras encontra-se numa galeria à qual se pode aceder subindo umas escadas.

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Interior da Sinagoga de Inverno (Winter Synagogue). Esta sala era inicialmente um seminário, a escola da Congregação Judaica Portuguesa, passando a sinagoga em 1956.

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Nas paredes na Sinagoga de Inverno podem ainda ser observadas as pautas com nomes Ibéricos, relembrado a função inicial deste espaço.

A biblioteca Judaica mais antiga do mundo ainda em funcionamento encontra-se também dentro do complexo da Sinagoga Portuguesa. Foi estabelecida em 1616 e desde 2003 que faz parte do Registo da Memória do Mundo da UNESCO. Parte do espólio desta biblioteca está também protegido como herança nacional dos Países Baixos.

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Na Câmara de Tesouros podem ser observados objectos Judaicos de valor incalculável, uma mostra da importância cultural da Sinagoga Portuguesa de Amesterdão.

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Um rolo de Torah em exibição na Camara de Tesouros da Sinagoga Portuguesa.

E claro, nenhuma visita a Amesterdão estaria completa sem passar pelo tão falado Red Light District! Uma zona de bares, onde também podemos encontrar as famosas coffee shops e vários restaurantes. Uma espécie de Bairro Alto para os Lisboetas, mas maior, mais mediático e movimentado.

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Red Light District

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Red Light District

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Detalhe no pavimento do Red Light District

Onde comi?

Adorei a comida em Amesterdão! Ficam aqui algumas sugestões dos locais onde fiz as minhas refeições:

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Restaurante Mata Hari

Mata Hari – Fica no Red Light District e tem uma zona de bar no andar de baixo onde estava a decorrer uma concerto de jazz quando lá fomos, e restaurante no andar de cima. Eu e o meu namorado comemos um prato de borrego com molho de iogurte e pinhões que estava uma delícia. Recomendo telefonar para fazer reserva.

Van Speyk – Encontramos este restaurante por acaso enquanto caminhávamos pelo centro da cidade e o que nos chamou à atenção foi a selecção de pratos tradicionais Neerlandeses. Queríamos experimentar a cozinha local, como tal optámos por um prato de carne de vaca com salsicha e mostarda.

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As panquecas do Mook

Mook –  Meu querido Mook… As melhores panquecas que alguma vez comi! O menu incluía não só panquecas doces como também salgadas, mais adequadas para um almoço. Se forem a Amesterdão têm de ir ao Mook!

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Foodhallen

Foodhallen – Para quem vive em Lisboa, uma espécie de Mercado Time Out (Mercado da Ribeira). Para quem conhece Londres, uma espécie de Convent Garden. O local ideal para quem esta à procura de street food e preços mais em conta.

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Restaurante Português “O Girassol”

O Girassol – Pois é, decidimos experimentar um restaurante Português em Amesterdão e não nos arrependemos nada! A beira do rio Amstel, este restaurante que segundo a informação no website é o mais antigo do género na Holanda, apresenta um cardápio de pratos tradicionais portugueses com um toque de modernidade. Vale muito a pena fazer lá uma refeição e agradou-me o facto de que o estabelecimento é também frequentado por muitos Holandeses.

Onde ficámos hospedados?

Sempre que vou de viagem e preciso de escolher o local onde vou ficar hospedada começo por procurar casas ou quartos no airbnb. Mas a determinada altura apercebi-me que, dependendo do local de destino, esta pode não ser a opção mais económica. Procuro então em plataformas como o Expedia ou Bookings.com e comparo preços, tendo também em conta a proximidade com as áreas que pretendo visitar. Durante estes dias na Holanda ficámos hospedados no CITIEZ Hotel Amsterdam. O quarto em si era pequeno mas suficiente para duas pessoas, tendo em conta que tínhamos pouca bagagem e não iríamos passar muito tempo no quarto. Para mim os dois pontos fortes da localização deste hotel são: a proximidade ao aeroporto – o autocarro número 69 passa na paragem Ruimzicht mesmo ao pé deste hotel e faz ligação com o aeroporto Schiphol, demorando cerca de 25 minutos apenas – , e a proximidade ao centro – os eléctricos número 1 e 15 fazem ligação com Amsterdam Centraal e a viagem demora entre 30 a 40 minutos.

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Amsterdam Centraal

Como nos deslocámos?

A questão do funcionamento dos transportes locais é normalmente aquela que mais me preocupa e a qual gosto de ter bem esclarecida antes de chegar ao meu destino de viagem. Detesto chegar a uma cidade nova e sentir-me perdida por não saber que transportes preciso de apanhar para sair do aeroporto, chegar ao hotel, etc.

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A companhia que opera a rede de transportes em Amesterdão chama-se GVB e engloba combóio, eléctrico, autocarro, metro e barco. Existem vários tipos de bilhetes e passes. No nosso caso compensou-nos comprar bilhetes diários – GVB Day Passes – que podem ser de 1 a 7 dias e com preços a começar nos € 7.50 até € 34. Este tipo de passe pode ser utilizado no metro, eléctrico e autocarro da rede GVB.

Para quem pretende visitar vários museus pode eventualmente compensar comprar o I Amsterdam City Card. Este cartão oferece entrada gratuita em muitos dos museus da cidade, acesso ilimitado aos transportes da rede GVB (autocarro, metro e eléctrico), descontos em vários restaurantes e inclui uma passeio de barco pelos canais de Amesterdão. Está disponível para períodos de 24h, 48h, 72h e 96h com preços apartir dos €59. Pode ser comprado online ou nas lojas “I Amsterdam“. Vale a pena  para quem esteja a planear visitar pelo menos três museus por dia. Não era o meu caso, até porque eu não gosto de visitar os museus “em passo de corrida”, portanto optei por comprar bilhetes individuais para aquilo que queria mesmo ver.

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Existem outras opções para quem pretende visitar outras regiões fora da área de Amesterdão e que incluem acesso a comboios e outras redes de autocarros, incluindo autocarros noturnos. A secção  “Public Transport in Amsterdam do website I Amsterdam que eu referi anteriormente, tem uma óptima explicação sobre as diversas modalidade de passes de transporte público disponíveis em Amesterdão e foi de uma grande ajuda na preparação para a minha viagem. Uma outra ferramenta digital que me foi bastante útil é a app GVB que está disponível gratuitamente para download e ajuda a planear as viagens na cidade e ver que transportes são necessários apanhar para determinado local.

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Chego então ao fim deste post sobre a minha viagem a Amsterdão, a primeira de várias eu espero! Adorei a cidade, o ambiente que embora muito movimentado e turístico nas zonas mais centrais consegue também ser bastante descontraído, as pessoas são simpáticas e quase toda a gente fala Inglês, pelo que a comunicação não foi um problema. Fiquei também com imensa curiosidade de conhecer melhor a cultura Neerlandesa e visitar outras regiões do Reino dos Países Baixos, reino esse que teve um papel importante na História da Europa.

E vocês? Já estiveram na Holanda? Que outros locais sugerem visitar?


 

P.S.: Se estão a planear ir a Amesterdão, vejam também este vídeo no youtube. Eu segui algumas das dicas apresentadas e não me arrependi:

10 X TOURIST TRAPS IN AMSTERDAM & the cooler alternative // Your Little Black Book

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