Fim-de-semana em Bath (versão portuguesa)

Olá a todos!

Hoje vou escrever-vos sobre a minha visita a Bath. No fim-de-semana de Páscoa, eu e o meu namorado decidimos aproveitar o facto de estarmos os dois de folga e fomos passar dois dias a esta cidade que fica na zona Sudoeste de Inglaterra.

A história Bath remete para duas épocas importantes na história da humanidade: as épocas Romana e Georgiana. Os Romanos marcaram a sua presença em Bath a partir do primeiro século AC, quando aí construíram os famosos banhos romanos – para aproveitar as fontes de água termal – e um templo, criando assim a cidade de Aquae Sulis.

Já na era Georgiana do século XVIII, deu-se início à projecção e construção de uma cidade com uma forte influência da estética do arquitecto italiano Palladio, na qual a arquitectura Georgiana se baseia. Vários arquitectos juntaram esforços para construir aquela que queriam que fosse uma das cidades mais bonitas da Europa. O desafio parece ter sido bem conseguido. Bath é hoje em dia um dos marcos principais da arquitectura Georgiana, o que contribuiu para que em 1987 a cidade fosse classificada pela UNESCO como Património Mundial dado o seu valor histórico e cultural.

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Junto aos Roman Baths e com a Bath Abbey em plano de fundo.

O que fizemos em Bath?

Quando chegámos a Bath, o autocarro deixou-nos na estação de autocarros mesmo ao pé de uma zona comercial chamada SouthGate Bath. Esta zona é uma espécie de centro comercial, onde podem ser encontradas lojas das marcas mais conhecidas. Como nós não pretendíamos fazer compras e estávamos mais interessados em ver o centro histórico e caminhar, atravessámos SouthGate muito rapidamente, sem parar para ver as lojas.

Caminhámos até Abbey Churchyard, na zona central de Bath. Esta é uma praça lindíssima do ponto de vista arquitectónico, onde o estilo Gótico da imponente Abadia de Bath (Bath Abbey) contrasta com a estética grego-romana da arquitectura Georgiana dos Roman Baths e Grand Pump Room.

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Bath Abbey à esquerda e a entrada para os Roman Baths à direita.
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Fachada do Grand Pump Room
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É muito frequente haver artistas de rua a entreter os turistas que atravessam Abbey Churchyard. Este violinista tocava à entrada dos Roman Baths.

Já era hora de almoço, portanto decidimos procurar um sítio para comer antes de começar a explorar a cidade. Queríamos comer bem e evitar os restaurantes mais mainstream, porque esses temos também em Londres. Na Abbey Churchyard tínhamos duas opções que nos interessaram: o Pump Room, localizado num edifício histórico mesmo ao lado dos Roman Baths, é um restaurante elegante com música clássica ao vivo, e onde os horários dos diferentes menus são bem específicos para pequeno-almoço, almoço e chá da tarde. Isto é, quando lá chegámos, ainda estava a decorrer o horário de pequeno-almoço, portanto ainda teríamos de aguardar em fila para nos ser oferecida uma mesa quando o horário de almoço começasse. Os menus pareceram-nos bons e o staff muito simpático. No entanto, acabámos por ir ao The Roman Bath Kitchen, que fica mesmo em frente ao Pump Room, do lado oposto da Abbey Churchyard. Aí também é servida comida típica Inglesa – steaksburgerspies, etc. – e os preços são ligeiramente mais em conta. A comida era boa, mas não gostámos muito do café.

Depois de almoçar, estávamos então prontos para conhecer Bath!

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Iniciámos o nosso percurso na Pulteney Bridge. Esta ponte em arco de estilo Palladiano, passa sobre o rio Avon e a sua construção teve por base um antigo projecto da Ponte de Rialto em Veneza, que não foi utilizado.

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O barco que veem na imagem, faz passeios panorâmicos subindo o rio até Bathampton. Poderão ver mais informações sobre horários e preços do site da Pulteney Cruisers.
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Pulteney Bridge é uma das quatro pontes no mundo inteiro com lojas construídas em ambos os lados da sua estrutura!

Após ver a ponte decidimos ir visitar mais dois expoentes máximos da arquitectura Georgiana em Bath: The Circus e Royal Crescent. No caminho passámos pela Queen Square onde se ergue um obelisco em honra de Frederick, Príncipe de Gales.

Queen Square
Queen Square, rodeada por segmentos de casas Georgianas, é como que o ponto de partida no roteiro arquitectónico de Bath. Seguindo para norte pela Gay Street, vamos chegar ao The Circus.

The Circus é composto por um conjunto de três segmentos de casas dispostos em círculo. John Wood, o arquitecto que projectou este complexo, inspirou-se na arquitectura do Coliseu de Roma para a sua elaboração.

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Seguimos por Brock Street, uma das saídas deste complexo circular, e chegámos finalmente a Royal Crescent, um segmento de 30 casas que hoje em dia dão lugar a um luxuoso hotel & spa. No entanto, algumas destas casas são ainda usadas como habitação comum.

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The Royal Crescent

Aqui pode também ser encontrado um museu sobre a vida quotidiana da época Georgiana do século XVIII – o Nº1 Royal Crescent .

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Brock Street
Brock Street – Seguimos por esta estrada para chegar a Royal Crescent. Do outro lado da rua podemos agora ver as árvores no centro do The Circus.

Vistos estes marcos principais da arquitectura Georgiana, e atraídos pelo verde em frente a Royal Crescent, decidimos então fazer uma caminhada pelo Royal Victoria Park e o jardim botânico.

Royal Victoria Park
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Ficámos impressionados com a quantidade de tulipas que havia não só neste parque, como também nos jardins de algumas casas em Bath.

Atravessámos o parque e dirigimo-nos ao hotel onde tínhamos reservado um quarto. Ficámos hospedados no Holiday Inn Express Bath. Nada de muito sofisticado, mas uma boa opção low cost para uma estadia curta como a nossa.

Ao fim da tarde, decidimos ir ver a vista panorâmica de Bath do topo do Alexandra Park. Ficava a cerca de 25 minutos de caminhada do hotel. Mas digo-vos: valeu muito a pena subir a Shakespeare Avenue para lá chegar!

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Vista de Bath do topo do Alexandra Park.

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O nosso primeiro dia em Bath terminou com um jantar no Opa! Meze Bar, um restaurante de comida Grega junto ao rio Avon. Quando está calor, imagino que seja agradável sentar no terraço com vista para o rio. Não foi o caso. Estava frio e como tal sentámo-nos no interior do restaurante, que também tem um ambiente muito bom. Partilhámos um Meze (um género de tapas) e cada um de nós pediu um prato principal: eu comi Moussaka, uma combinação de beringela com batatas, carne picada e molho béchamel, e o meu namorado comeu uma perna de borrego com batatas. E devo dizer que a comida estava óptima!

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Caminhada junto ao Kennet & Avon Canal.

O nosso segundo e último dia em Bath, começou com o pequeno-almoço no hotel e uma caminhada junto ao rio em direcção ao centro. A intenção era caminhar junto ao rio Avon até à Pulteney Bridge, atravessar a ponte e ir visitar a Bath Abbey. No entanto, não reparámos que do rio saía também um canal, e às tantas estávamos a caminhar junto ao Kennet & Avon Canal e a afastarmo-nos do centro. Mas há males que vêm por bem: estava um dia de sol lindíssimo e tivemos ainda a oportunidade de assistir à abertura de um canal lock para a passagem de um barco. Vim mais tarde a saber, que aquele lock em particular se chama Bath Deep Lock e é na verdade o segundo lock mais profundo de Inglaterra!

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Bath Deep Lock – Um canal lock é um sistema que utiliza dois portões instalados no canal para barrar a água e que têm um espaço entre si, permitindo subir ou baixar o nível do barco de acordo com as condições do canal. Neste caso, o barco precisava de ficar mais baixo para passar por baixo da ponte.
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Visto de cima, o portão está agora aberto e o barco está a um nível mais baixo permitindo a passagem por baixo da ponte.

Quando finalmente nos apercebemos que estávamos a seguir o caminho errado, dirigimo-nos novamente para a zona central. Fomos visitar a Bath Abbey e assistimos à missa de Páscoa. A entrada na Abadia é gratuita, no entanto os donativos são bem-vindos. Existe também a possibilidade de fazer uma visita guiada à torre, subir até ao topo e apreciar a vista de Bath. Esta visita é paga e custa £6 para adultos e £3 para crianças entre os 5 e os 15 anos.

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Roman Baths e Bath Abbey ao fundo.

O resto do dia foi passado a desfrutar do ambiente das ruas de Bath. Existem vários museus que valem a pena ser visitados. Pensámos em fazer a tour dos Roman Baths que dizem ser muito interessante ou até uma sessão de spa no Thermae Bath Spa, mas não tivemos coragem de enfrentar a fila que estava à porta. Pelo que ficámos só mesmo pelos espaços outdoor que, afinal de contas, era a intenção inicial desta viagem.

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Great Pulteney Street – Ao fundo da rua podemos ver o Holburne Museum.

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Prédios de habitação em Bath. Simetria e proporção, as características principais da arquitectura Georgiana.
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Traseiras dos prédios.
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Ruas de Bath.

Que transportes apanhámos?

Considerando Londres como ponto de partida e tendo em conta que não temos carro, as opções seriam apanhar o autocarro (National Express) ou o combóio (National Rail).

Após verificar horários e preços – ambos os sites tem um motor de pesquisa muito fácil de usar e onde é também possível comprar os bilhetes online – optámos por apanhar o autocarro em Victoria Coach Station. Era a opção mais barata e o horário mais conveniente para nós. A viagem Londres – Bath demorou cerca de 2h40min e pagámos £21 cada um. Para voltar para Londres decidimos apanhar o combóio visto não haver autocarros à hora que queríamos.

NOTA: É muito frequente haver alterações nos horários dos transportes ou até mesmo linhas que não funcionam durante os fins-de-semana devido a trabalhos na rede. No entanto, são disponibilizados transportes de substituição. Foi o que nos aconteceu neste fim-de-semana. Parte da linha estava encerrada para obras, tivemos de apanhar o replacement bus para a estação de Chippenham – uma estação a seguir a Bath – onde poderíamos então apanhar um combóio directo para Londres. Para nosso desconsolo, ao chegar a Chippenham, foi-nos dito que o combóio para London Paddington (a nossa estação de destino em Londres) tinha sido cancelado, como tal teríamos de apanhar um outro para Swindon e aí trocar para  ainda outro combóio que iria então para Londres. Resumo: a viagem que pensámos ser mais rápida e confortável tornou-se mais longa e com mais trocas. Mas estou a contar isto para explicar a importância de ter em atenção eventuais alterações que possam haver nos horários, prestar atenção aos painéis electrónicos na estações, se possível ver as actualizações online e falar com membros do staff nas estações, eles estão lá para ajudar e geralmente são muito prestáveis.


E é esta a história do meu fim-de-semana de Páscoa em Bath. Espero que tenha sido interessante de ler. Ficaram com vontade de visitar esta cidade lindíssima e cheia de história? Escrevam um comentário para dizer o que acharam e partilhem este post com os vossos amigos viajantes!

Beijinhos e espero por vocês no próximo post!

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